Sem crônicas — Artigo indefinido

Aréa de trabalho

Olho para o texto.

O que eu escrevo?

É conto?

É microconto?

É um encontro?

É uma crônica?

É uma sentença.

É minha morte.

É pura sorte.

Vale a tentar.

É uma frase que cabe?

Algo que vale?

É um vale.

É crônica ficcional?

É alguma coisa, afinal, ou só um texto.

Um texto só.

As frases soltas, revoltas, que dissolvem na boca, mas que na folha fazem um nó.

Teimam em ganhar sentimento, viver o momento, fazer das sílabas lamento.

Insistem em não serem jogadas ao vento.

Querem cifrar. Riscar. Rabiscar

Querem um papel decerto.

Ser o Código secreto de sílabas pelo incerto.

É uma sentença: ter que julgar minhas palavras com indiferença.

Classificar.

Colocá-las a réu e definir uma categoria.

Porque o homem tem dessas, precisa definir em qual arquivo de gaveta o artigo vai ficar.

Em que pasta?

Qual o nome devo escrever na etiqueta daquela respectiva aba.

Só escrever não basta.

É preciso produzir. Dividir. Por um nome.

Definir as coisas que se consome.

Tenho que ter um título.

O que escrevo?

Às vezes, melhor deixar debaixo do travesseiro…

🥰Escritora✒️, cirurgiã 🔪mãe👻,em relacionamento sério com as palavras. Autora dos livros Vida Nada Moderna e Retratos da quarentena. www.izabellacristo.com

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store