Te conto um pouco de mim, mas invento.

Com intento, eu minto.

Eu minto?

Ou apenas ré sinto e repito como um eco um pouco, ou muito, de mim mesmo.

Eu conto.

Ou interponho.

Coloco regras, escapo pelas frestas, dentre meados finos da história que faço de mim mesmo.

No início, fazia a esmo.

Mas aprendi com o tempo, que não há lamento forte que não se esconda através de um norte, de um corte ou de um narrador.

Mesmo aquelas velhas histórias que de horror que carrego, posso transformar num. trágico contratempo.

Eu invento.

Será que invento?

Ou sou apenas como uma velha bruxa, que chincha o luxo num caldeirão de palavras, com algumas falhas, folhas amargas e brotos ralos das minhas experiências?

Serei eu um tecelão besta com plena convicção de que emaranho faceiro os fios de diversos anos, sonhos e vivências daquilo que vejo.

Eu te conto, e não te conto.

Te mostro, mas te escondo.

Eu ponho, e sobreponho.

Te falo, mas me calo.

Eu sou um ator de sílabas.

Se eu fosse vivo, não seria boa companhia.

Seria um cínico, o espectro humano da dissimulação.

Mas um homem divertido. Te levaria a grandes viagens, amigo. Paisagens, passagens de altos e baixos.

Nunca te dominaria o tédio.

Talvez encontrássemos o remédio para a infelicidade.

Viver à parte. E não pela metade.

Jogar fora toda a realidade.

Eu te conto, mas não invento.

Será talento?

Será forma?

Será somente ilusão?

Sei lá.

É só uma forma de olhar e jogar para o mundo o que carrego no coração.

Fica a ação na imaginação.

🥰Escritora✒️, cirurgiã 🔪mãe👻,em relacionamento sério com as palavras. Autora dos livros Vida Nada Moderna e Retratos da quarentena. www.izabellacristo.com