Sem Crônicas — Assistência Técnica

Sentada.

Sentada no banco da praça.

Sentada num banco balanço de uma praça.

Sentada num banco balanço de uma praça que eu não sei o nome.

Sentada num banco balanço de uma praça no Brooklin a qual eu não sei o nome.

Sentada num banco balanço de uma praça no Brooklin a qual eu não sei o nome, em frente ao restaurante Veríssimo.

Sentada num banco balanço de uma praça no Brooklin a qual eu não sei o nome, em frente ao restaurante Veríssimo, emocionada ao lembrar do meu ídolo.

Sentada num banco balanço de uma praça no Brooklin, a qual eu não sei o nome, sem celular, em frente ao restaurante Veríssimo, emocionada e perdida, sem rumo, sem tecnologias, e tocada ao lembrar do meu ídolo.

Sentada, eu aqui a flutuar nesse banco balanço de uma praça que eu não sei o nome, no Brooklin, sem celular, em frente ao restaurante Veríssimo, emocionada e perdida, sem rumo, sem tecnologias, escrevendo à mão crua, rabiscando estas letras, cativada e tocada ao lembrar de um dos meus ídolos literários.

Sentada, eu aqui a flutuar nesse banco balanço de uma praça que eu não sei o nome, no Brooklin, sem celular, em frente ao restaurante Veríssimo, emocionada e perdida, sem rumo, sem tecnologias, escrevendo à mão crua, rabiscando estas letras com o coração cativado e tocada ao lembrar de um dos meus ídolos literários, mas preocupada se o balanço vai aguentar o meu peso de homem.

Sentada no balanço da praça. Emocionada. Pensando. Cativada. Sem rumo. Rabiscando. Preocupada com o balanço.

Por que não se fazem mais balanços do nosso tamanho?

Por que balancear, entregar-se ao vento, deixar revolver o seu centro de gravidade é uma honra que está reservada apenas aos seres de pouca idade?

Por que devo ser pequena para caber? Por que devo ter menos idade?

Quero voltar a ser criança. Quero um banco que me caiba, quero andar sem rumo por mais praças. Voltar a ter aquela coragem se não ter medo de cair, de andar sem rumo, sem saber onde se está. Sem ter pressa para partir. Sem ter hora para chegar sem ter medo de voltar na frase.

Preciso andar mais vezes.

Sem celular.

Texto inspirada nas aulas de escrita de Vanessa Ferrari.

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🥰Escritora✒️, cirurgiã 🔪mãe👻,em relacionamento sério com as palavras. Autora dos livros Vida Nada Moderna e Retratos da quarentena. www.izabellacristo.com

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Izabella Cristo

🥰Escritora✒️, cirurgiã 🔪mãe👻,em relacionamento sério com as palavras. Autora dos livros Vida Nada Moderna e Retratos da quarentena. www.izabellacristo.com